domingo, 4 de março de 2012

Dia da Mulher Negra!

25 de julho
Dia da Mulher Negra!
Daniela Rosa da Silva

Graças ao povo baiano, a independência brasileira foi alcançada. Graças ao povo baiano os portugueses foram expulsos das terras brasileiras. Graças à luta de homens e mulheres negras que ficaram de fora da história oficial, como Maria Felipa, mulher, negra, líder de um grupo de mulheres (heroínas também negras). Maria Felipa ficou de fora da história de lutas e de construção do nosso país.
A opressão e a desigualdade vivenciada pelas mulheres negras começou há cinco séculos no Brasil, no momento em que os portugueses invadiram as terras brasileiras e tomaram posse de tudo o que aqui se encontrava, inclusive as pessoas. E é justamente aqui que a desigualdade e a opressão se inicia no Brasil. A opressão do homem branco sobre as mulheres indígenas e negras que serve de base para toda uma construção social e ideológica sexista, machista, excludente e preconceituosa que permeia as relações sociais ainda hoje e pode ser vista e confirmada nas hierarquias de gênero e etnia presentes em nossa sociedade.
No dia 25 de julho comemora-se o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e também o Dia Municipal da Mulher Negra em Salvador. A eleição de uma data comemorativa à mulher negra nada mais é que o reconhecimento - ainda que tardio – à sua historiografia diferenciada. História essa que precisa ser ressaltada, evidenciada, contada, para que seja, então, valorizada. Esse dia marca um dia mundial de lutas contra toda e qualquer violência contra a mulher.
Da invasão portuguesa aos dias atuais passamos por inúmeras mudanças nas relações políticas, sociais, culturais e econômicas importantíssimas e fundamentais para a nossa constituição identitária, mas ainda insuficientes para provocar mudanças profundas nas estruturas racistas, sexistas e machistas e na exclusão social sofrida pelas mulheres negras. A cidadania da mulher negra ainda não é uma conquista plena. Ainda somos as maiores vítimas da violência doméstica, da violência sexual, carecemos de políticas públicas para a saúde, para a educação e habitação. Somos diariamente agredidas física e simbolicamente através da negação de nossa identidade e da venda de nossa identidade. Somos vítimas diárias da exploração sexual e comercial de nossa imagem em todos os meios de comunicação de massa e, sem nos darmos conta da perversidade dessa situação, compactuamos com ela quando a naturalizamos em nossos discursos.
No mercado de trabalho, as mulheres negras ainda recebem, em média, 55% menos que as mulheres brancas e constituem a maioria no trabalho informal e em ocupações de maior vulnerabilidade, como as de trabalhadoras domésticas, babás e vendas informais.
Ainda estamos longe de atingir os espaços institucionais de poder pois temos as menores taxas de escolarização e de ingresso ao ensino superior. Ainda somos as maiores vítimas de todos os tipos de violências dentro da sociedade. Por isso, precisamos transformar o 25 de julho numa data de luta política pelo fim das desigualdades, pelo fim da violência física e simbólica e, mais ainda, pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária.



Nenhum comentário:

Postar um comentário